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Novo limite do MEI: o que muda com o teto de R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028

Nova lei eleva o limite do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, permite 2 empregados e perdoa dívidas. Veja o que muda e o que fazer.

Por Daniel Bertulino dos Santos, contador · CRC 1SP303022/O-3

Resposta curta: a Lei Complementar nº 238/2026, publicada em 21 de outubro de 2026, aumenta o limite de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028. A lei também permite que o MEI tenha até dois empregados e perdoa dívidas federais do MEI constituídas até 13 de outubro de 2026, para quem mantiver o DAS em dia. Em 2026, o limite continua sendo R$ 81 mil.

O teto do MEI não era atualizado desde 2018. Com a inflação, muita gente que começou como microempreendedor individual chegou perto do limite sem ter crescido de verdade. A nova lei corrige esse valor em duas etapas e traz outras mudanças importantes. Veja o que muda, quando muda e o que fazer agora.

Qual é o novo limite de faturamento do MEI?

O limite é anual e considera tudo o que o MEI fatura com a atividade da empresa. Ficou assim:

PeríodoLimite anualMédia por mês
Até 31/12/2026R$ 81 milR$ 6.750
A partir de 1º/1/2027R$ 110 milR$ 9.166,67
A partir de 1º/1/2028R$ 140 milR$ 11.666,67

A média por mês é só uma referência: o que vale é o total do ano. Você pode faturar mais em um mês e menos em outro, desde que a soma do ano fique dentro do limite.

E se eu abrir o MEI no meio do ano?

No ano em que o MEI é aberto, o limite é proporcional aos meses de atividade, incluindo o mês da abertura. Por exemplo: quem abrir o MEI em julho de 2027 terá 6 meses no ano, e o limite daquele ano será de 6 × R$ 9.166,67, cerca de R$ 55 mil.

O MEI agora pode ter dois funcionários?

Sim. A partir de 2027, o MEI pode contratar até dois empregados, em vez de um. Cada um deve receber um salário mínimo ou o piso salarial da categoria. Antes de contratar, vale colocar na conta os encargos e a rotina de folha de pagamento, que passam a ser maiores.

Como funciona o perdão das dívidas do MEI?

A lei prevê a remissão (perdão) das dívidas tributárias federais do MEI constituídas até 13 de outubro de 2026, inscritas ou não na Dívida Ativa da União, incluindo juros e multas. Pelas informações divulgadas pelo governo:

  • para manter o perdão, o MEI precisa pagar em dia o DAS dos seis meses seguintes à entrada em vigor da medida, em 1º de janeiro de 2027;
  • quem discute essas dívidas na Justiça precisa desistir da ação;
  • o saldo de parcelamentos em andamento também entra no perdão, mas valores já pagos não são devolvidos.

A Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ainda vão divulgar como o perdão será aplicado na prática. Até lá, o mais importante é não deixar o DAS atrasar.

Quem saiu do MEI pode voltar?

Segundo o governo, empresas do Simples Nacional que faturam dentro dos novos limites poderão voltar a ser MEI, conforme as regras que ainda serão regulamentadas. Antes de voltar, compare com calma: em alguns casos, continuar como microempresa pode fazer mais sentido, principalmente se a empresa pretende crescer.

O que acontece se eu passar do limite?

Pelas regras atuais, se o faturamento passar do limite em até 20%, o MEI paga a diferença de imposto sobre o valor excedente e deixa de ser MEI a partir de janeiro do ano seguinte. Se passar mais de 20%, o desenquadramento vale desde janeiro do próprio ano, com o recolhimento dos impostos como microempresa desde então. Por isso, é melhor planejar a mudança antes de chegar ao teto.

O que fazer agora

  1. Em 2026, siga o limite de R$ 81 mil. O novo teto só vale a partir de janeiro de 2027.
  2. Mantenha o DAS em dia, principalmente a partir de janeiro de 2027, se você tem dívidas antigas e quer o perdão.
  3. Acompanhe o faturamento mês a mês para saber com antecedência se vai chegar perto do limite.
  4. Se pensa em contratar o segundo funcionário, faça a conta do custo total antes.
  5. Se a empresa já fatura perto de R$ 140 mil, planeje a passagem para microempresa e o regime tributário mais adequado.

Exemplo prático

Uma cabeleireira faturou R$ 78 mil em 2026 e estava preocupada em estourar o limite. Com a nova lei, em 2027 ela pode faturar até R$ 110 mil sem deixar de ser MEI, e até R$ 140 mil em 2028. Se quiser, também pode contratar uma segunda assistente. Em 2026, porém, ela continua precisando ficar dentro dos R$ 81 mil.

Dúvidas frequentes

O novo limite do MEI já vale em 2026?

Não. Em 2026 o limite continua sendo R$ 81 mil. O teto sobe para R$ 110 mil em 1º de janeiro de 2027 e para R$ 140 mil em 1º de janeiro de 2028.

Preciso pedir o perdão das dívidas do MEI?

Segundo as informações divulgadas pelo governo, o perdão das dívidas constituídas até 13 de outubro de 2026 não depende de pedido, mas exige pagar o DAS em dia nos seis meses seguintes a 1º de janeiro de 2027. Os detalhes ainda serão regulamentados pela Receita Federal e pela PGFN.

O valor do DAS do MEI mudou?

A nova lei não mudou a forma de pagamento: o MEI continua pagando o DAS todo mês. O valor do DAS acompanha o salário mínimo e é atualizado a cada ano.

Vale mais a pena continuar MEI ou virar microempresa?

Depende do faturamento, da atividade e dos planos de crescimento. Com o novo teto, mais negócios podem continuar no MEI, mas para quem já está perto do limite ou quer crescer, a microempresa pode ser o caminho. Vale fazer a conta com um contador.

Próximo passo

Se você é MEI e está perto do limite, ou quer saber se é hora de virar microempresa, converse com um contador. Veja também como funciona a abertura de empresas na Bertulino.

Informações de 21/10/2026, com base na Lei Complementar nº 238/2026 e nas notícias oficiais do Senado Federal e da Agência Brasil. A Receita Federal e a PGFN ainda vão regulamentar parte das regras.

Daniel Bertulino dos Santos, contador e responsável técnico da Bertulino Contabilidade

Daniel Bertulino dos Santos

Contador e responsável técnico da Bertulino Contabilidade (CRC 1SP303022/O-3), escritório de contabilidade digital em São Paulo desde 2011. Este artigo tem caráter informativo e não substitui a análise de um profissional para o seu caso.

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